Abri a porta e vi que ninguém está Só um relógio no seu vagar Não tem dono, não será capaz Está condenado a parar Ao longe um navio Ancorado no seu porto de abrigo Nem vento sentiu/ está sozinho/ fez o seu caminho
O amor é como o mar pode ir e voltar O amor é como o mar, é um jogo de sorte entre o fraco e forte Pode até matar O amor é como o mar, vem buscar o que lhe foram roubar
Vou gritar, sentir. escrever, mentir, enganar, libertar Ver ruir, vou querer saber, vou ouvir dizer que o amor é como o mar.
Não sei quantos seremos, mas que importa?! Um só que fosse, e já valia a pena. Aqui, no mundo, alguém que se condena A não ser conivente Na farsa do presente Posta em cena!
Não podemos mudar a hora da chegada, Nem talvez a mais certa, A da partida. Mas podemos fazer a descoberta Do que presta E não presta Nesta vida.
E o que não presta é isto, esta mentira Quotidiana. Esta comédia desumana E triste, Que cobre de soturna maldição A própria indignação Que lhe resiste.
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
Este espaço mudou de nome! Por uma causa justa e digna. O Páginas de Inês é agora o título do blogue da BE da Escola Sec. D. Inês de Castro, Alcobaça. Por agora, este site fica à deriva com as suas páginas!
Muitas pessoas questionarão as interrogações presentes no título. Quanto a mim, quase tudo é novo, quase tudo é uma aventura nas novas tecnologias, quase tudo é uma descoberta. Talvez fosse melhor dizer tudo, já que, apesar de conhecer o "Youtube", nunca, até agora, experimentara a sua utilização e funcionalidades. É impressionante o mundo novo que se me abre e o gosto com que entro nele e desbravo as vantagens que estas ferramentas podem ter na prática lectiva e na biblioteca escolar. Não tenho dúvidas. É essencial que os blogues/páginas das BEs adiram a estes serviços e, com critério, proporcionem aos utilizadores novas formas, muito mais atractivas, de viver a escola. Aventurei-me, por agora, no Youtube, no Flickr e no Slideshare (embora não consiga ouvir Camões!!). Hei-de melhorar o grafismo e a técnica...
Nesse tempo, os dias estavam sempre demasiadamente bonitos para os desperdiçar com leituras, e as noites eram demasiadamente escuras.
Note-se que, quer se lesse quer não se lesse, o verbo já era conjugado no imperativo. Mesmo no passado, já era assim. De certo modo, ler era um acto subversivo. À descoberta do romance acrescia a excitação da desobediência à família. Era um duplo esplendor! Ah, a magnífica recordação de horas de leitura às escondidas, debaixo dos lençóis, à luz da lanterna. Como galopava a Anna Karenina ao encontro do seu Vronski, àquelas horas da noite! Amavam-se um ao outro, o que já era magnífico, mas amavam-se enfrentando a proibição de ler, o que era ainda melhor! Amavam-se contra a vontade do pai e da mãe, contra o trabalho de matemática por acabar, contra a redacção, contra o quarto por arrumar, amavam-se em vez de irem para a mesa, amavam-se antes da sobremesa, preferiam estar um com o outro a irem ao futebol ou a apanharem cogumelos... tinham-se escolhido um ao outro, nada mais queriam do que estar um com o outro... meu Deus, como o amor é belo!
Professora. Membro da equipa da BE da Escola Secundária D. Inês de Castro, em Alcobaça.
Persistente e curiosa. Preza as amizades, as pessoas, os alunos... Gosta de animais e respeita-os. Adora sol e mar. Gosta da noite.De música. De viajar. De conduzir.